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sexta-feira, janeiro 16, 2004
Juízos morais e juízos de facto
O Adufe chama-me ultraliberal porque eu defendo que o aumento da duração da licença de maternidade é um incentivo à discriminação das mulheres no mercado de trabalho.
O Avatares de um Desejo chama-me liberal radical puro porque eu defendo que o salário mínimo causa desemprego.
Nenhum argumento, embora o Adufe prometa argumentar. Só elogios, mas são elogios injustificados.
Imagino, então, que um socialista seja um Homem que acredita que o salário mínimo gera emprego e que licenças de maternidade prolongadas incentivam a contratação de mulheres.
Mas há outra doutrina:
- um Homem que acha que a liberdade (liberdades negativas) deve ser o valor supremo é um liberal.
- um Homem que acha que a igualdade deve ser o valor supremo (igualdade de liberdades positivas) é um socialista.
- um Homem que acredita que o salário mínimo gera emprego e que licenças de maternidade prolongadas incentivam a contratação de mulheres é apenas um mau economista.
Um socialista que é um mau economista tenderá a prejudicar precisamente aqueles que pretende ajudar. Neste caso, todas as mulheres e todos os desempregados.
Ou, como diz o maradona, "das coisas mais me afligem é ver pessoas genuinamente boas mais preocupadas com a sua consciência do que com as consequências práticas decorrentes das suas especiais sensibilidades; isto porque, à custa do sono descansado de meia dúzia de bem pensantes e de três ou quatro almas absolvidas, quem se fode são uns bons milhões de indefesos."
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